INGEMO, IP partilha “Desafios impostos pelo multilinguismo nacional, na padronização de nomes de unidades territoriais/administrativas em Moçambique” no II Seminário da DPLP
A acção ocorreu no decurso do II Seminário sobre Padronização de Nomes Geográficos nos países lusófonos, no dia 27 de Novembro de 2025, no formato virtual (online), através da plataforma Googlemeet, inserido nas actividades da Divisão dos Países da Língua Portuguesa (em Nomes Geográficos) – DPLP, planificadas para o ano 2025, que teve como oradores: o Mestre José Jorge Mahumane (de Moçambique), Historiador e Director Geral do Instituto de Nomes Geográficos de Moçambique (INGEMO, IP); a Dra. Cristiane do Carmo (Brasil), Linguista e toponimista na Gerência de Nomes Geográficos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); e a Mestre Anas Cristina Resende (UNGEGN), Relatora do Bureau do UNGEGN e Presidente da DPLP. A moderação esteve a cargo do Msc Alex Andrade (Cabo Verde), Vice-presidente da DPLP. Sendo que a organização do evento esteve a cargo do INGEMO, IP, na qualidade de Secretariado da DPLP.

Oradores e moderador
Na sua intervenção, o Director do INGEMO, IP, José Jorge Mahumane abordou que a toponímia moçambicana sofreu diferentes momentos, nomeadamente, a expansão bantu, árabe-swahili, ngoni/M’fecane, colonialismo português e a constituição do Estado Novo. E em função desses eventos, os estudiosos subdividem a toponímia do país em 3 grandes períodos históricos, designadamente: Pré-colonial, Colonial e Pós-colonial/Pós-Independência.

José Jorge Mahumane, Director Geral do INGEMO, IP, intervindo no Seminário
Sobre o Período pré-colonial (expansão bantu, expansão árabe-swahili e expansão ngoni/M’fecane), disse que as designações toponímicas eram em línguas nativas/bantu, embora sua escrita apareça na língua portuguesa e outras línguas europeias. Exemplos: Manyikeni, Estado de Mwenemutapa, Marave, Império de Gaza, Estados Yao.
Quanto ao Período Pós-Independência, destacou a substituição da toponímia colonial por topónimos que se identificam com a história e cultura moçambicanas. Exemplos: Cidades – Vila Cabral, Porto Amélia, Vila Pery, João Belo e Lourenço Marques passaram respectivamente para Lichinga, Pemba, Chimoio, Xai-Xai e Maputo.
No que diz respeito a padronização em si, o Director do INGEMO, IP afirmou que está sendo feito um esforço de “moçambicanização” dos topónimos depois da independência nacional, e destacou que de 2013 à 2024, o INGEMO, IP iniciou um trabalho de pesquisas sobre nomes geográficos dos postos administrativos, localidades, principais cidades e vilas do país. Este trabalho levou à padronização de cerca de 1053 topónimos que aguardam validação pelo Governo, em 39 distritos, sendo 6 da Província de Inhambane, 3 de Niassa, 2 de Nampula, 11 de Tete, 6 da Zambézia, 3 de Sofala, 5 de Gaza e 2 de Manica. Exemplos, Exemplos: Localidade de Manhica, no distrito de Homoine para KaManyike (da língua Citshwa; Localidade de Ligogo, no distrito de Jangamo para Ligogweni (da língua Gitonga); Localidade de Namialo, no distrito de Meconta para Onamwalo (da língua Emakhuwa).

Participantes do segundo seminário
Por fim, o Director do INGEMO, IP deixou como desafios, a necessidade de adopção oficial dos resultados da padronização da ortografia das línguas moçambicanas e de uma política linguística nacional que condicionam avanços na padronização de topónimos; assim como financiamento das actividades de padronização de nomes geográficos.
Na ocasião Ana Cristina Resende, representante do UNGEGN afirmou que a organização coordena um projeto internacional que visa alcançar que cada país tenha uma estrutura e um marco de políticas plenamente funcionais e alinhados, baseados em princípios comuns para a padronização nacional de nomes geográficos.
Acrescentou que o UNGEGN presta apoio técnico, científico e educacional aos países membros, através dos Grupo de Trabalho, Coordenações e Bureau, intercâmbio e auxílio mútuo em questões relativas ao trabalho com os nomes geográficos e possibilidade de obter investimentos internacionais para a realização de projetos.
Por Paulino Bata